2 de abril de 2019

Autismo: recreio da escola é oportunidade para inclusão

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo é observado anualmente em 2 de abril. Classificado como uma entre as muitas desordens cerebrais conhecidas, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta sintomas singulares. De fobias e agressividade a dificuldades de aprendizagem e de relacionamento, as manifestações e níveis do autismo podem variar bastante. Por isso, nem sempre a condição é facilmente identificada pelas famílias. Assim, algumas vezes, é em sala de aula que mais se sobressaem as características de uma criança com autismo. Dessa forma, a escola cumpre um papel ainda mais importante para o relacionamento social e o desenvolvimento de habilidades. Porém, apesar de muito se falar em práticas pedagógicas, o momento do recreio é também um importante período de aprendizado.

 

Como usar os intervalos para desenvolver habilidades dos alunos com autismo

Apesar de ainda não existir cura para o transtorno, há muitas formas de favorecer a qualidade de vida dos autistas. Inclusive o pátio da escola pode servir de contexto para explorar as vivências sociais desses estudantes. Afinal, ao contrário do que muitos ainda pensam, o recreio não representa para eles um momento de isolamento e introspecção. Conforme um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Washington, alunos com autismo passam aproximadamente 1/4 do intervalo sozinhos. No entanto, usam 30% do momento para brincar com outras crianças. Já no restante do tempo, ficam ao lado dos colegas, sem necessariamente interagir. Ou seja, o recreio é mais uma oportunidade para que professores ou auxiliares promovam uma mediação positiva entre os estudantes.

A ideia é que o adulto fique próximo da criança para direcioná-la e, também, antecipar a ocorrência de comportamentos inadequados. Por gostarem de seguir rotinas e metodologias, muitas vezes esses alunos ficam sem saber o que fazer ou aonde ir. Assim, é importante que eles saibam os horários de início e fim dos intervalos e de quais brincadeiras podem participar. Possivelmente, isso os ajudará a minimizar a ansiedade e a manter certa organização do tempo. É importante destacar que o isolamento geralmente acontece não pela falta de vontade de interagir. Mas, isto sim, pela dificuldade da criança em processar os acontecimentos sociais. É aí que professores e colegas exercem um papel fundamental, fornecendo uma espécie de “legenda” do que acontece ao redor.

O aluno com autismo pode não ser expert em empatia e reciprocidade, mas tem como desenvolver tais habilidades. Pode aprender a cumprimentar, a reconhecer e nomear as emoções em si e nos outros. Tudo isso ao favorecer um engajamento estruturado entre pares.

 

Recursos online

Fundada em 2010, a ONG Autismo & Realidade oferece diversos materiais de apoio para auxiliar famílias e escolas. De comportamentos desafiadores a estratégias para melhorar o sono de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo.

 

Foto: iStock/goodmoments

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