6 de junho de 2019

Educação do futuro será híbrida e imersiva, diz Sanjay Sarma, professor do MIT

Mista, fluida e imersiva: é assim que a Educação tende a ser no futuro. Quem vislumbra tal cenário é o professor de Engenharia Mecânica do prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT), Sanjay Sarma.

Vice-presidente da divisão de Open Learning, responsável pelos programas de ensino online do MIT, ele aposta numa educação “completamente repensada”. O especialista concedeu, recentemente, uma entrevista exclusiva à revista iPlace Educacional, que pode ser obtida na íntegra neste link. A seguir, confira alguns destaques do bate-papo:

Fale-nos de sua carreira. Como se interessou por tecnologia e engenharia?

 

Sempre me interessei por coisas bastante mecânicas e queria me tornar um inventor. Assim que entrei no Instituto Indiano de Tecnologia, escolhi o curso de Engenharia Mecânica. Fui trabalhar numa companhia petrolífera logo após me formar e me apaixonei por solucionar problemas do mundo real.

Assim, meu mantra tornou-se “focar no problema e ser leal ao problema”; não enxergar apenas pelas lentes da Engenharia Mecânica. É como pegar um tigre pela cauda. O tigre vai para onde quiser, e você precisa aguentar firme. Ou seja: se o problema requer que você entenda de computadores, você precisa ir atrás disso. Se você tem que aprender sobre eletrônicos, então é o que deve fazer. Eu adotei essa mentalidade ligada ao crescimento e tenho aproveitado o caminho tremendamente.

Seu foco de trabalho é hoje a Internet das Coisas. Quais devem ser os impactos dela – e da própria Inteligência Artificial – sobre a Educação?

 

Basicamente, tudo está andando num ritmo tão acelerado que haverá pressão sobre o sistema educacional vigente, que está relativamente estagnado. Nós temos que movimentar a Educação de jovens de todas as idades, e podemos fazê-lo conectando aquilo que os estudantes aprendem aos últimos acontecimentos do mundo real.

Podemos relacionar Matemática à Blockchain, Química às mudanças climáticas, Computação a jogos, Biologia a CRISPR [técnica de edição genética], História aos eventos atuais… e assim por diante. E, sim, deveríamos ensinar sobre Inteligência Artificial e Internet das Coisas às crianças pequenas. As ferramentas existem.

Que desafios os educadores enfrentam para utilizar a tecnologia em sala de aula? Essas ferramentas facilitam ou às vezes atrapalham no processo de Educação?

 

A tecnologia desenhada para o aprendizado ajuda – sejam o software ou os laboratórios virtuais da edX, sejam os tutores automáticos ou os kits hands on como o Arduino. Porém, os computadores, se vistos fora de um contexto específico, têm sido considerados uma distração. Dessa forma, a chave é conhecer a real intenção para o uso daquela tecnologia. Deve-se saber qual ferramenta utilizar e por quê.

Na sua opinião, quais são as maiores dificuldades ou desafios que o sistema educacional enfrenta no mundo?

 

Nós seguimos modelos antigos que precisam ser ajustados com mais aprendizado hands on, que tenha um propósito, que esteja relacionado a experiências práticas e que seja mais autêntico. Em vez disso, estamos presos a velhos paradigmas, aprisionados a suas regulamentações e suas regras (injustificadas). É preciso liderança para avançarmos.

O ensino tradicional é baseado numa espécie de confiança cega de que a Matemática ou a Física serão úteis em algum momento da vida. Se sua mãe é uma contadora, e você está aprendendo matemática, talvez esteja tudo bem, pois você vê sua mãe aplicando o conhecimento. No entanto, se sua mãe é uma costureira, você estará menos disposto a deixar de lado suas dúvidas. No lugar disso, se você enfrenta um problema real que precisa ser solucionado com o uso da matemática, você estará mais propenso a entender por que ela é útil. Você conseguirá inseri-la num contexto.

Sob seu ponto de vista, qual é o futuro da Educação?

 

A Educação será completamente repensada. Eu acredito que o futuro será misto, fluido e imersivo. As pessoas estudarão mais online, e as salas de aula serão “invertidas”. Haverá projetos que darão ao aprendizado mais propósito, e as interações entre alunos e professores serão mais ricas. Tecnologias como a Realidade Virtual vão auxiliar os estudantes, ajudando-os a imaginar aplicações para seu conhecimento, ou a visualizar os princípios básicos do assunto em questão com mais intensidade.

Foto: Sanjay Sarma/Divulgação

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