27 de junho de 2019

Língua universal: iPad ajuda escolas a integrar imigrantes

Ao longo dos últimos anos, o número de refugiados pelo mundo tem aumentado consideravelmente. Até agora, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), são 70,8 milhões de pessoas que deixaram sua nação de origem. Destas, 10,5 mil foram acolhidas no Brasil, conforme dados do Ministério da Justiça. Por sua vez, a União Europeia tem registrado o maior influxo de imigrantes e refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. Com isso, especialmente no caso de crianças e adolescentes, as escolas têm desempenhado mais um papel fundamental.

Afinal, é em sala de aula que esses jovens podem obter apoio para reestruturar seu senso de estabilidade na vida. Para tanto, é de extrema importância que os professores saibam como ajudar seus alunos num contexto de tanta diversidade. Na Alemanha, por exemplo, o uso do iPad nas práticas de ensino tem se provado um grandioso sucesso.

Paralelamente aos usuais da profissão, professores da escola Wilhelm Ferdinand Schussler, em Düsseldorf, possuem turmas com alunos de diferentes origens. Assim, no dia a dia, lidam não somente com outros idiomas, mas até com alfabetos completamente distintos. Em alguns casos, inclusive, os estudantes recém-chegados sequer têm alguma experiência anterior com uma sala de aula. Por isso, os professores Nick Kyriakidis, de 47 anos, e Sinaan El Haq Hadjeri, de 31, têm no iPad um importante aliado. Para eles, o dispositivo da Apple é uma das ferramentas mais poderosas para eliminar a barreira do idioma.

iPad como aliado para vencer barreiras

Segundo os dois professores, as crianças costumam recuar quando sentem medo de cometer erros. Já quando se consegue diminuir este temor, fica muito mais fácil para trabalhar em conjunto. É aí que entra o iPad, que ajuda os estudantes a aprender até mesmo sozinhos. Já no papel os erros costumam ficar mais aparentes, especialmente quando as correções são feitas com a famigerada caneta vermelha.

Atualmente, a escola Wilhelm Ferdinand Schussler possui 325 estudantes oriundos de 39 países diferentes. Desses, aproximadamente 20% são “Deutsch als Zweitsprache” (DAZ), o que se traduz como “alemão como segunda língua”. Entre os alunos de Kyriakidis e Hadjeri há sete refugiados – quatro sírios e, os demais, do Afeganistão, Iraque e Quênia. E, desde que a escola iniciou o programa de um iPad para cada aluno, 100% dos participantes se formaram. Estatisticamente falando, isso representa um aumento superior a 20% sobre o índice anterior à implementação dessa tecnologia.

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Entre os beneficiados pelo programa estão Medina Ibrahim, de 13 anos, e seu irmão Mohammed, de 16. Ambos foram para a Alemanha com os pais e outros dois irmãos mais novos. Antes de se estabelecer em Düsseldorf, a família iniciou sua jornada em Aleppo, na Síria, passando também pela Turquia. Sem falar uma palavra em alemão, Medina conta que todos se sentiam muito solitários, pois tinham dificuldades para fazer amigos.

Ao longo do último ano, Medina, seu irmão e os demais alunos têm trabalhado com seus dispositivos Apple diariamente. Inclusive estudam diversas lições que o professor Nick Kyriakidis elaborou no Keynote, app gratuito exclusivo do iOS. Dessa forma, Medina já consegue compor uma sentença com palavras ordenadas de maneira correta. Além disso, usa a gravação de voz para repeti-la em alemão para o iPad. Isso garante a ela e aos outros alunos a oportunidade de pronunciar palavras estrangeiras sozinhos. Sem medo – e em seu próprio ritmo.

A importância da conexão

Os professores Kyriakidis e Hadjeri contam que adorariam de ter tido acesso à tecnologia atual quando eram jovens. Assim como seus alunos, eles também chegaram ainda crianças à Alemanha, sem saber falar o idioma. Por isso, sabem exatamente como é se sentir isolado num ambiente novo. Esse também é um dos motivos pelos quais os estudantes se sentem tão ligados aos professores – sentimento que é recíproco. “Eles são como meus filhos”, afirma Hadjeri. Em múltiplas ocasiões, chegou à escola e não encontrou algum aluno, vindo a descobrir que a família toda fora deportada. “Quero ser alguém que lhes deu amor, ensinou e inspirou”, sentencia.

Durante o ano, Medina e Mohammed evoluíram tanto que já estão se despedindo das aulas DAZ com Kyriakidis e Hadjeri. Recentemente, Medina apresentou para sua turma de História um trabalho montado no Keynote sobre Napoleão e explanado totalmente em alemão. Ela espera um dia se tornar engenheira, e seu irmão, farmacêutico. Por meio de um tradutor, Medina conta que era feliz na Síria. Mas diz que agora, na Alemanha, ela não somente está feliz como se sente segura.

Outros exemplos pelo mundo

Escolas por toda a Europa estão encontrando maneiras inovadoras de usar a tecnologia da Apple. Tudo para auxiliar os professores e estudantes a se conectar e se comunicar. No College Daniel Argote, na França, os estudantes vão para casa com uma lição em vídeo no iPad. No dia seguinte, repassam o “dever de casa” em sala de aula com o professor. Dessa forma, os alunos cujos pais não são fluentes no francês podem estender o aprendizado dentro e fora da escola.

Da mesma forma, os professores da escola Stenkulaskolan, na Suécia, começaram a gravar vídeos instrutivos em sueco. Depois que o conteúdo começou a ser enviado para casa, verificou-se um salto de 80% nas notas de matemática. Já na escola St. Cyres, no País de Gales, os estudantes que cursam inglês como idioma suplementar elevaram suas notas em 3,8 pontos. Essa média, que considera todo o ano letivo, foi obtida a partir do trabalho feito pelos professores com o iPad. Adicionalmente, pelo terceiro ano consecutivo, esses alunos superaram o desempenho dos colegas que têm inglês ou galês como idioma nativo.

Foto: Escola Wilhelm Ferdinand Schussler – Apple/Divulgação

Fonte: Apple Newsroom

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