26 de dezembro de 2019

Como trabalhar a alfabetização midiática em sala de aula

Treze bilhões de megabytes a cada segundo. Conforme estudo da Forbes, é nessa velocidade que novas informações digitais serão criadas no mundo em 2020. E a tendência é de que o número só aumente nos anos posteriores. Tal fato, de forma isolada, não deveria ser preocupante. Afinal, a infraestrutura de servidores ao redor do planeta provavelmente estará preparada para tal volume de dados.

O problema é que, dentre milhões de vídeos, fotos, textos e áudios, sempre haverá informações falsas ou incompletas. Será cada vez mais difícil, portanto, a tarefa de identificar o que é relevante e verdadeiro. Como, então, enfrentar esse cenário? A resposta é a chamada “alfabetização midiática”.

 

A solução vem pelo ensino

Para conter o avanço da desinformação e das fake news, o caminho, como sempre, é investir em tecnologia e educação. Aliás, não apenas investir, como atualizar os currículos para que se discutam as problemáticas contemporâneas. Por isso, é vital que instituições de ensino abordem em seus programas o que se convencionou chamar de alfabetização midiática. Resumidamente, o termo designa o estudo das mídias, tradicionais e digitais, e o fomento à uma visão crítica. De forma mais ampla, são cinco as habilidades principais que a alfabetização midiática busca proporcionar aos alunos.

  1. Compreender o papel e o funcionamento da mídia nas sociedades democráticas.
  2. Avaliar criticamente os conteúdos.
  3. Interpretar dados midiáticos com base em informações concretas, checadas.
  4. Saber se expressar e participar na sociedade democraticamente.
  5. Desenvolver habilidades para produzir conteúdos de mídia.

 

Trabalhar a alfabetização midiática em sala de aula, portanto, é uma tarefa interdisciplinar. Envolve escrita e interpretação de textos, criatividade, consciência ética e conhecimentos de atualidades, de informática e de lógica digital. Afinal, mídia não se restringe apenas aos meios de comunicação, mas abrange também todo o universo de redes sociais.

 

Alfabetização midiática no contexto da BNCC    

A alfabetização midiática responde ainda a demandas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ela está presente tanto nas competências gerais quanto nas habilidades específicas da BNCC. Nas gerais, o tópico Cultura Digital estimula “compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de forma crítica, significativa e ética”. Já o Campo Jornalístico-Midiático propõe “analisar e produzir notícias, refletir sobre o papel da publicidade e o ambiente da desinformação”. Todas as escolas brasileiras devem adequar-se à BNCC até 2022 e tanto Apple quanto iPlace Educacional são parceiras desse processo.

 

Capacitação de professores

Assim como em qualquer mudança curricular, o primeiro passo para implantar a alfabetização midiática vem com a capacitação de professores. Por isso, o blog da iPlace Educacional traz aqui sugestões de cursos e materiais para auxiliar os educadores. Confira:

EducaMídia – Programa de Educação Midiática

O Instituto Palavra elaborou este currículo de educação midiática alinhado às diretrizes da BNCC. Disponibiliza também um curso gratuito de 30 horas sobre o campo jornalístico-midiático, construído em parceria com a Fundação Vanzolini.

Ensinar e Aprender com o Twitter

Lançado pelo próprio Twitter em parceria com a Unesco, o guia ajuda educadores a trabalhar habilidades de alfabetização midiática. A proposta é promover a análise crítica de informações e conteúdos encontrados na internet.

First Draft

O Instituto First Draft reúne, desde 2015, organizações como Google e Facebook no combate à desinformação. Agora, disponibiliza este curso gratuito que aborda estratégias para verificação de imagens, vídeos, datas e geolocalização.

Guia de Fact-Checking

Este material produzido pelo Instituto Poynter ajuda estudantes do ensino médio a desenvolver a habilidade de verificação de fatos. Poynter é uma organização filantrópica americana que promove o ensino do jornalismo. A versão em português do guia foi elaborada pela Agência Pública.

Oficina de Leitura Crítica de Notícias

A rede britânica BBC também desenvolveu a sua proposta de alfabetização midiática. Organizado pelo braço brasileiro do portal, este material traz atividades para professores trabalharem em aula a leitura crítica de notícias.

Vaza, Falsiane

Online e gratuito, este curso contra fake news apoiado pelo Facebook é pensado tanto para estudantes quanto educadores. As aulas foram desenvolvidas pelos professores Ivan Paganotti, Rodrigo Ratier e Leonardo Sakamoto.

Foto: iStock/phototechno

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