16 de janeiro de 2020

“Cocriação é a grande sacada para transformar a educação” – Entrevista com Leonardo de Boita

O amanhã é incerto, mas os estudantes de hoje devem estar preparados para encará-lo. Com essa visão em mente, Leonardo de Boita transforma a sala de aula num espaço de cocriação e pesquisa.

Responsável pelo setor de Tecnologias Educacionais do colégio Santa Inês, em Porto Alegre, ele foi entrevistado da Revista iPlace Educacional. Em sua 4ª edição, a publicação apresenta as melhores soluções para ajudar educadores brasileiros a enfrentar os desafios da atualidade.

Nesse contexto, Leonardo fala sobre vantagens de usar o iPad para facilitar o ensino de temas quase abstratos. Afinal, a partir dele é possível desenvolver, por exemplo, projetos com simuladores e realidade aumentada, ideais para cativar os alunos.

Formado em Química, Leonardo começou a usar a programação para resolver cálculos ainda no Ensino Médio. Segundo ele, foi assim que a informática entrou em sua vida. Agora, aposta na tecnologia para estimular o aprendizado em conjunto e oferecer respostas aos desafios do futuro.

 

Que tipo de projeto é possível realizar ao aplicar tecnologia nas aulas de Química?

É muito complicado trabalhar com algo “invisível”. Quem já viu ou tocou um átomo? O simulador faz com que o estudante forme uma imagem mental. Ele vai aproximando conceitos e entendendo como aquilo funciona. Vai deixando de ser abstrato, mesmo que seja virtual.

Há pouco tempo, também introduzimos a realidade aumentada. Afinal, não se tem à disposição todos os elementos químicos. Seja por questão de custo, seja pelo risco, no caso dos elementos radioativos. Com a realidade aumentada, é possível visualizar os elementos e entender como interagem entre si para formar novas substâncias.

 

Como foi o processo para que o professor de Química se tornasse responsável pelo setor de Tecnologias Educacionais?

Eu trabalhava bastante com a informática aplicada ao ensino de Química. Quando entrei na escola, esse era meu diferencial. Sempre gostei de fazer boas apresentações de Keynote, algo que a gurizada curtisse.

Em 2013, a equipe da direção me chamou para implantar algo relacionado à tecnologia. A pessoa responsável deveria ser alguém que estivesse em sala de aula e soubesse usar bastante tecnologia. Especialmente para fins de educação, para modificar o processo de ensino-aprendizagem. Aceitei, mesmo sem saber se estava capacitado para a função.

 

Como você avalia os dispositivos Apple nesse contexto?

Quando o pessoal da Apple veio fazer uma apresentação no colégio, eu nunca havia usado dispositivos da marca. Fiz uma análise de uma semana e disse: “só deixem o iPad entrar nessa escola!” (risos).

Estes dispositivos trouxeram apenas vantagens: tempo de duração de bateria, estabilidade, facilidade de instalação e gerenciamento, tudo. Até hoje eu repito isso: só traz vantagens.

Na minha experiência, percebo que a Apple criou um aparelho pensando em educação. Tem todo um sistema de gerenciamento que outras plataformas e outros sistemas operacionais não têm.

 

Na sua opinião, quais os maiores desafios de um educador atualmente e como ele pode fomentar a cocriação?

Acho que um dos nossos maiores desafios é não desistir. Cada vez mais, ser criativo e poder ver que o estudante continua ávido por conhecimento, mas de um jeito diferente. Outro desafio é entender quais recursos e habilidades nosso aluno precisa para enfrentar as dificuldades que ainda não conhecemos.

O futuro é incerto. Ao mesmo tempo que sabemos que ele exigirá noções de tecnologia, responsabilidades e busca pelo conhecimento, não temos certeza de como isso será exigido. Então hoje trabalhamos com um estudante que tem um mundo de possibilidades pela frente. Como educá-lo? Esse é o nosso maior desafio como educadores.

A tecnologia nos auxilia muito. Não trabalhamos mais com o conteúdo em si. Ele é necessário para desenvolver algumas habilidades e competências, e continua no currículo, mas o estudante tem que saber fazer pesquisa, saber cocriar com os colegas, saber compartilhar. Isso é muito mais importante.

 

A ciência vive um momento de descrença, com teorias da conspiração ganhando a internet. Como reverter esse quadro em sala de aula?

Toda vez que uma nova discussão surge na internet, ela se replica em sala de aula. Por mais que se tenha conhecimento sobre vários assuntos, a disseminação de informações erradas nas redes sociais tem convencido pessoas que não são críticas. Nosso trabalho é desenvolver a criticidade do estudante.

A tecnologia oportuniza momentos para que ele questione se algo é verdade ou mentira e corra atrás de informação. Ou seja, que ele não aceite facilmente qualquer informação. E a ciência traz essa questão: critique, analise. Quanto menos informação se tem, mais se acredita em coisas que não fazem sentido.

Para acessar a edição completa da Revista iPlace Educacional #4 clique aqui.

 

Foto: Leonardo de Boita/Divulgação

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