25 de junho de 2020

Educação financeira: como sua escola pode atender à BNCC

Implementada em 2020 no Ensino Infantil e Fundamental, a Base Nacional Comum Curricular trouxe diversas atualizações aos programas educacionais das escolas brasileiras. Tais mudanças vieram no sentido de capacitar os currículos para melhor preparar os alunos para o futuro do mercado de trabalho.

Assim, a BNCC inclui conteúdos como alfabetização midiática, estímulo ao conhecimento científico e linguagens de programação. Inclui, também, educação financeira, que se faz cada vez mais necessária no Brasil.

A realidade brasileira

A ausência de educação financeira nas escolas e famílias brasileiras é fato conhecido. Infelizmente, nossos jovens ainda não estão capacitados para lidar com as finanças de maneira responsável. É o que demonstram os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

No PISA de 2015, o Brasil ficou em último lugar na avaliação de competências financeiras entre todos os países participantes. Naquela ocasião, nenhum estado brasileiro conseguiu ficar acima da média mundial.

Na edição de 2018 do estudo, o desempenho brasileiro melhorou timidamente. Conseguimos ganhar 27 pontos de score na média nacional, passando de 393 para 420 pontos. Porém, ainda ocupamos uma das últimas posições do ranking, ficando à frente apenas de Peru, Indonésia e Geórgia. E, se comparados à média mundial (478), ainda estamos muito atrás.

A importância da educação financeira

As vantagens de se ter tal conteúdo trabalhado desde a infância podem ser percebidas em escalas individual e coletiva. No curto prazo, crianças e jovens conseguirão lidar muito melhor com suas finanças pessoais e mesmo ajudar a família. Afinal, a disciplina prevê o ensino da importância de pesquisar preços, poupar e avaliar as taxas praticadas no mercado.

Coletivamente, em longo prazo, a presença da educação financeira nas escolas pode ter impacto até mesmo na economia do país. Isso porque, com um número de inadimplentes mais baixo, a tendência é que bancos ofereçam melhores condições de crédito. Consequentemente, pode aumentar o consumo, injetando ânimo na economia e criando mais empregos e renda.

Como abordar o conteúdo na escola

No Ensino Infantil, uma boa forma de começar a trabalhar a educação financeira é através de temas correlatos. Podem ser usados, por exemplo, livros e conteúdos que estimulem questões comportamentais como paciência, persistência, planejamento e espírito de equipe. Assim, desde pequenos os alunos podem desenvolver uma consciência empreendedora.

Numa etapa posterior, como o Ensino Fundamental, os estudantes costumam já estar inseridos em uma lógica monetária. Conhecem quantidades, preços e noções de caro e barato. Assim, a escola pode usar uma abordagem mais empírica da educação financeira, relacionada ao dia a dia do aluno.

Uma boa ferramenta nesse sentido é a metodologia DSOP – sigla para Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar. Abaixo, veja mais detalhes sobre cada uma das etapas e como trabalhá-las com os alunos.

Diagnosticar: o primeiro passo é o estudante fazer um diagnóstico de suas despesas por 30 dias. Para tanto, vale usar o tradicional caderninho. O importante é que sejam anotados todos os gastos, por menores que possam ser.

Sonhar: nesta etapa o aluno deve ser estimulado a conceber alguns objetivos de consumo em três momentos. Deve-se pensar em sonhos para o curto prazo (um a dois anos), médio prazo (cinco anos) e longo prazo (dez anos).       

Orçar: aqui deve-se analisar o real custo da realização de cada um dos sonhos. Então, calcular quanto de dinheiro deve ser guardado por mês até as datas limites em curto, médio e longo prazos. A fórmula do orçamento mensal passa a ser “Receita – Despesas – Parcelas dos sonhos = orçamento total”.

Poupar: no último passo, o aluno deve pesquisar quais são as formas de guardar o dinheiro destinado aos sonhos. Deixar tudo no cofrinho, colocar na poupança, aplicar num fundo de investimentos? Com a ajuda do professor e da educação financeira, o estudante pode explorar várias opções. E, assim, encontrar a melhor maneira de atingir seus objetivos.    

Foto: iStock/WorSangJun

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