2 de julho de 2020

Meme: como aproveitar esta “linguagem” na educação

Sensação no mundo digital, o meme surgiu de uma expressão grega que significa imitação. Mas o que talvez poucos saibam é que o termo existe desde muito antes desta propagação nas redes sociais. Afinal, o conceito foi instituído a partir do best-seller O gene egoísta*, publicado em 1976 pelo biólogo britânico Richard Dawkins. De acordo com o autor, o meme é o equivalente cultural do gene. Ou seja: uma unidade básica de transmissão de cultura que se dá por meio da imitação.

Dessa forma, Dawkins classifica sotaques, slogans e moda, por exemplo, como memes que se espalham pelas comunidades. Contudo, atualmente eles são mais reconhecidos como imagens, vídeos e GIFs que, envolvidos pelo humor, viralizam pela internet.

Aliás, quem acompanha o universo jovem já deve estar acostumado a ver novidades praticamente todos os dias. Logo, esta linguagem sintética e criativa pode apresentar um enorme potencial ao ser aproveitada como instrumento educacional. Até mesmo neste período de atividades a distância. Afinal, os memes nada mais são do que mensagens simples e resumidas de assuntos complexos do dia a dia.

Desse modo, trazem boas oportunidades para abordar os mais diversos temas. Como, por exemplo, debater questões sobre comunismo, socialismo e fascismo. Ou, ainda, discutir outros fatos e conceitos históricos, as relações internacionais, geopolítica, atualidades, física e astronomia, entre outros.

Então que tal pegar carona num recurso que os alunos já dominam, motivando-os naturalmente a aprender e a produzir conhecimento?

Como incluir o meme em seus planos de aula

Criado em 2017 pela Universidade Federal Fluminense (UFF), o Museu de Memes é uma boa referência para estruturar as aulas. Para municiar professores e envolver os alunos, seu vasto acervo virtual inclui referências bibliográficas e fontes de pesquisa. Assim, reúne não apenas a maior coleção de memes do Brasil, como diversas informações relacionadas a cada peça. Entre elas, sua origem, interesse ao longo do tempo, difusão e repercussão, bem como exemplos notáveis.

Além disso, o museu realiza oficinas e treinamentos para professores da educação básica e demais interessados nesse universo criativo. Porém, é importante compreender que o uso dos memes requer alguns cuidados. Especialmente em relação à disseminação de algum tipo de preconceito ou discurso de ódio. Nesse aspecto, é possível trabalhar ainda a importância do respeito ao próximo e da empatia.

Outro aspecto a ser considerado é o de que, para entender o conteúdo da peça, é preciso ter repertório. Por isso, o meme acaba não sendo indicado para crianças dos primeiros anos do ensino fundamental.

Entretanto, tomados os devidos cuidados, os memes podem ser aplicados ao ensino de todas as disciplinas. Sobretudo porque permitem trabalhar pesquisa, comunicação, tecnologia e outras temáticas incentivadas na nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Assim, a dica é investir em projetos focados na concepção dessa linguagem para que, sendo compartilhada, possa promover o aprendizado.

Como executar projetos com a criação de memes

A facilidade de criação é uma das principais vantagens de se trabalhar com o meme. Para tanto, basta combinar um iPhone ou um iPad a um aplicativo dedicado disponível gratuitamente na App Store. Nesse contexto, o Sticker.ly é o número 1 na categoria de Utilidades e permite criar suas próprias figurinhas personalizadas. Assim, basta unir uma imagem a uma frase.

Além disso, o aplicativo disponibiliza a função de recorte automático para aprimorar o trabalho. Complementarmente, permite exportar suas coleções por meio de links personalizados ou, ainda, diretamente para o WhatsApp.

Depois de eleger o aplicativo que será utilizado com os alunos, a dica é dividir o projeto em seis etapas. Primeiramente, o professor deve propor aos estudantes o que os memes abordarão. Em seguida, os alunos podem dar início à pesquisa do tema, refletindo sobre cada referência. Depois disso, chega o momento de resumir o conteúdo para elaborar a mensagem.

Por fim, resta eleger uma imagem e executar a criação da peça. Após a avaliação do professor, o meme estará pronto para ser compartilhado com a turma.

Resultados e oportunidades

Apesar da pandemia, o distanciamento social tem aproximado professores e equipes diretivas de metodologias criativas para favorecer o ensino. Diante disso, o meme pode servir como estímulo para discussões e desenvolvimento do pensamento crítico e criativo. Aliás, o recurso foi uma das primeiras estratégias utilizadas pelo Ministério da Saúde para compartilhar orientações de prevenção ao coronavírus. Assim, 11 figurinhas foram desenvolvidas para explicar a importância de desinfetar objetos, lavar as mãos e ficar em casa.

Logo, ao produzir seus próprios memes, o aluno não aprenderá somente a sintetizar mensagens. Mas, também, a observar o que aquele conteúdo criado por ele é capaz de ativar no conhecimento coletivo.

*Dica: assista a um bate-papo sobre o livro de Richard Dawkins no episódio #91 do podcast Dragões de Garagem.

Foto: iStock/Lightcome

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